por Fabricio Vieira, fundador da Casa Movere
Hoje, recebi uma mensagem da Ana Paula, minha parceira de trabalho e amiga querida. Ela queria saber como eu estava, como estavam a Lilica, minha cachorrinha de 13 anos, e a minha mãe, que estão passando por questões de saúde. Respondi com honestidade, explicando que estou triste e angustiado, que minha mãe ainda aguarda o retorno ao médico para ver os resultados dos exames e que levei Lilica ao cardiologista, e o prognóstico não é animador, o que significa que entramos numa fase de tratamento paliativo, já que a cardiopatia dela está evoluindo mais rápido do que imaginávamos. Ao ouvir minha resposta, Ana chorou. Chorou porque conseguiu se colocar no meu lugar. Chorou porque é minha amiga. E eu fiquei profundamente tocado com essa presença afetiva, ainda que à distância.
Muito se fala sobre amizades e o quanto elas são importantes na nossa vida pessoal, e de como elas impactam positivamente nossa saúde mental. Mas e no trabalho? Será que é possível termos amigos no âmbito profissional? Não estou falando apenas daquela pessoa ética, confiável e responsável. Falo daquela que se importa de verdade — não só com o trabalho, mas com você, com a sua vida, com tudo o que te atravessa.
E, quando isso acontece, a relação de trabalho ganha uma outra camada de sentido. Não se trata apenas de trocar entregas ou dividir responsabilidades. É sobre criar um espaço de confiança e vulnerabilidade no qual podemos ser inteiros, com nossas dores, alegrias, limitações e conquistas.
Eu tive a sorte de conhecer alguém assim. A Ana entrou na minha trajetória profissional por acaso, num curso que fiz no Núcleo Syntese, onde ela é Curadora. Fomos apresentados e imediatamente nos conectamos. Eu contei sobre a Casa Movere, ainda no início, e ela falou sobre sua atuação. Lançamos um “precisamos fazer alguma coisa juntos” e, diferente de tantas conversas que ficam só na promessa, essa virou ação. Isso já dizia muito sobre ela: alguém para quem as ações falam mais alto do que as palavras.
Pouco tempo depois, estávamos colocando em pé nosso primeiro projeto conjunto — um workshop sobre entrevistas por competências, que diversificou as ofertas do Núcleo e acabou se repetindo semestralmente por alguns anos. Em 2022, convidei a Ana para integrar um projeto dentro de um cliente da Casa Movere e ela aceitou sem pensar duas vezes. Desde então, aprendemos a trabalhar juntos, a respeitar nossos limites, a dizer verdades difíceis com cuidado e, acima de tudo, a cultivar uma amizade repleta de afeto.
Essa vivência me mostrou que amizade no trabalho não é um “acidente de percurso”. É um elo que se constrói no cotidiano, no olhar atento, no gesto de cuidado, na mensagem inesperada. É ela perceber quando eu não estou bem e, mesmo de longe, encontrar um jeito de estar presente. É eu poder estar ao lado dela em seus próprios desafios, sabendo que esse apoio não se mede em planilhas, mas em humanidade.
Talvez, essa seja a grande potência das amizades no trabalho: elas nos lembram que, por trás de cada cargo, título ou projeto, existem pessoas reais com histórias, medos e esperanças. Quando escolhemos nos conectar de verdade, criamos não apenas parcerias profissionais, mas laços que atravessam fronteiras.
Obrigado por sua amizade, Ana Paula. <3
Fabricio Vieira é facilitador de aprendizagem, consultor de Recursos Humanos, coach certificado pela Escola de Coaches da EcoSocial e fundador da Casa Movere. Além de sua graduação em Tecnologia da Informação pela Universidade de Marília e de um MBA em Administração Estratégica de Empresas pela UNIBTA, atualmente, está cursando uma segunda graduação em Psicologia pela UNIP.